E você vem falar de amor... Logo pra mim que ando tão desacreditada. Que aos tropeços encontro pedras com as quais me apego e resisto em devolver ao chão. Vem falar logo pra mim que tanto calo. Diz que precisa desabafar, narrar-me a imensidão, fazendo-me pensar que esqueceu da minha incapacidade de percepção tempo-espaço. Vem querendo tomar-me em uma dose sem saber que eu posso rasgar na garganta. Vem mastigando-me com fome sem saber que meus pedaços não cabem em uma mordida. Vem respirando-me sem fôlego sem saber que sou mais que uma brisa, que posso não caber no seu pulmão (vizinho do teu coração quente demais). Vem querendo desenhar-me em planos sem saber que eu não caibo no papel. Você supõe e, entre tanto anseio, se equivoca. E você volta a falar de amor... Um amor que pra mim é ontem. Que virou carta na gaveta, foto na carteira, ligação perdida. Você me chora dores que meus analgésicos já curaram e chora tanto, que me faz querer presentear-te anestesia. Pede por um espaço que lhe pertence por direito e cotidiano, mas pede ainda mais, mais do que posso dar. Reclama por meu tempo, suplica pela minha atenção, sufoca-me com ciúmes, fazendo-me pensar que esqueceu da minha idolatria aquariana pela liberdade.E você me grita esse velho e sempre novo amor. Esperneia, soluça, quebra, pragueja, arranha. Faz barulho, faz bagunça. Logo pra mim que tanto almejo a calma, tanto preservo minha paz. Insiste no esgotado, aposta no inviável e eu aqui tentando, durante todo esse tempo, explicar que já deu. Foi intenso, lindo, enorme e eterno até, mas passou. É, foi eterno, mas passou. Faz tanto barulho e eu preciso é do silêncio. Ainda de pé, mas agora possuidora de uma maleta de traumas, uma laguna de lágrimas, um caixote de cicatrizes e uma pasta de músicas inaproveitáveis. Ainda sorrindo, mas agora com tantos contos censurados, tanta vida que nem me pertence mais, tanto cansaço de verbos no pretérito. Ainda feliz, mas agora em ímpar. Em ímpar... E você vem falar de amor? Amanda Arrais
2010
2010 Um dos melhores anos, se não o melhor. Já ouviu falar que o ano começa depois do carnaval? Então, bem por isso que não poderia ter começado melhor. Minha boca ficou com gosto de 2014 o ano todo. Inverno conheci o melhor da vida simples, da vida no campo, Sitio. Esse sim será inesquecível. “Aprendi que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seus amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.” Todos os conselhos e verdades que saíram daquele lugar fizeram muitas coisas mudarem. Aprendi mesmo sobre o que é amizade. Sim, foi emocionante, mais que qualquer coisa e de todo sentimento que já haviam relatado. O grito de vitória após pegar o diploma foi uma mistura de alivio com saudade. Os colegas todos juntos, sorrisos não faltaram para marcar a data, fotos então, são das mais diversas e das mais lindas. Amigos que conheci que nunca mais vou esquecer, amigos irmãos. A volta não representou nada, apenar um come...
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