E você vem falar de amor... Logo pra mim que ando tão desacreditada. Que aos tropeços encontro pedras com as quais me apego e resisto em devolver ao chão. Vem falar logo pra mim que tanto calo. Diz que precisa desabafar, narrar-me a imensidão, fazendo-me pensar que esqueceu da minha incapacidade de percepção tempo-espaço. Vem querendo tomar-me em uma dose sem saber que eu posso rasgar na garganta. Vem mastigando-me com fome sem saber que meus pedaços não cabem em uma mordida. Vem respirando-me sem fôlego sem saber que sou mais que uma brisa, que posso não caber no seu pulmão (vizinho do teu coração quente demais). Vem querendo desenhar-me em planos sem saber que eu não caibo no papel. Você supõe e, entre tanto anseio, se equivoca. E você volta a falar de amor... Um amor que pra mim é ontem. Que virou carta na gaveta, foto na carteira, ligação perdida. Você me chora dores que meus analgésicos já curaram e chora tanto, que me faz querer presentear-te anestesia. Pede por um espaço que lhe...
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Tenho sentido tua falta. Não uma falta que grita, exige e faz baderna, mas uma falta leve, discreta, comportada. Essa saudade não invade minha sala desmarcando os livros, sujando os copos ou riscando as paredes, não... Uma saudade baixinha que permeia meus silêncios, aquieta meus sorrisos e desanima minhas cantorias. Amanda Arrais
E se...
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E se tu vieres de novo vou dizer então: vieste com tanto verão, eu queria era inverno. Fria, pedra, indiferente. O que dessa vez? És tu quem dizes. E se eu não contestar? És tu quem exiges. E se eu aceitar e deixar escapulir que és sol demais? Ah, não me leves a mal, mas agora já não tenho tempo a perder, já não jogo segundos no ar. Mudo-me silenciosamente como quem rouba o doce de uma criança. Cautelosamente vou pro meu pólo e deixo-te aqui, no calor do Equador. Equalizar a dor? Equalize. Quero o teu silêncio pra compor minha música até o sol raiar morno pela janela que deixei entreaberta. Tanta ciência humana foi me deixando inexata e as notas parecem não-notadas. E se eu não souber mais desprender os pés do chão? E se eu não souber mais amar sem razão? Se eu não souber, deixe-me não sabendo que assim eu me aprendo. Meus passos pra trás, meus olhos pra frente. Abrindo os braços e apressando os pés. Um dia eu chego lá. Amanda Arrais